A oração de entrega

“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará [no hebraico ‘ele operará’].” (Salmo 37.5.)


Aí está um tipo de oração que precisamos aprender a fazer. Ela implica estabelecer um trato sério com o Senhor, evitando-se afirmações vagas. É uma situação em que economizamos tempo e obtemos resultados certos. É uma oração sábia.

O texto acima pode ser sumarizado em três curtas frases: entrega, confia e ele operará.

Para dedicarmos a Deus qualquer coisa, de maneira total e plena, é necessário que façamos um contrato definido com ele.

Ouvimos contar de um lavrador que estava tendo muita dificuldade em estabilizar sua vida espiritual. Estava sempre se dedicando a Deus, e, pouco depois, o inimigo lhe dizia que nada acontecera, que ele não era realmente crente e que sua consagração não dera em nada; e ele caía na incerteza e na dúvida. Essa constante de altos e baixos o perturbava muitíssimo, e ele raramente gozava paz de espírito. O diabo parecia atormentá-lo continuamente. Dominado por um novo impulso, ele deliberou que ali mesmo, onde se encontrava, no campo, iria entregar-se ao Senhor, de uma vez por todas, e fazê-lo de forma tão decisiva que fincaria uma estaca na terra, no ponto onde se achava.

Pouco tempo depois, enquanto trabalhava em outra parte da roça, Satanás atacou-o, como já fizera antes, e disse-lhe que ele não se entregara verdadeiramente a Deus. E ele respondeu: “Venha comigo, Sr. Diabo”. Atravessou a cerca e foi até ao ponto onde ele fincara a estaca. “Olhe ali, Sr. Diabo, ali está o lugar onde eu fiz minha entrega, e ali está o mourão de cerca que enterrei no chão. Neste lugar, Deus me aceitou.”

Essa definição clara da situação elevou-o e colocou-o bem acima das dúvidas e sugestões do adversário. Muitas pessoas duvidam simplesmente porque lhes falta essa definição clara em seus tratos com Deus.


Oremos de maneira definida e específica

Muitos de nós oram acerca de suas necessidades, e depois continuam a orar como se não cressem e, em conseqüência, sua fé acaba se esvaindo. Em Marcos 11.24, lemos que é preciso que, ao fazermos nossas petições ao Senhor, usemos de expressões bem definidas, e também é necessário ter uma fé clara no que Deus diz, com relação à resposta da oração. Depois de orar e crer, se não vemos de imediato os resultados visíveis, não devemos continuar a orar por aquele assunto, demonstrando assim que não cremos em Deus e em sua resposta. Se o fizermos, mais tarde descobriremos que nossa fé se enfraqueceu ou se desfez inteiramente.

Se Deus nos faz esperar, digamos-lhe que estamos aguardando, confiando e louvando-o pela resposta, e assim nos tornamos um daqueles que “lembram o Senhor”, e que são mencionados em Isaías 62.6,7, recordando-o de sua promessa e mantendo a posição de fé, dizendo: “Senhor, eu creio em ti, e te louvo”.

Se orarmos de outro modo, isso pode ocasionar o estrangulamento total de nossa fé. É desastroso para a fé repassar as mesmas petições repetidamente. Não há nada que a torne mais firme do que ter certeza da resposta pela qual podemos agradecer e louvar a Deus. Podemos saber que cremos no Senhor se, depois de orarmos, não ficarmos inquietos, fazendo planos, ou nos “esforçando” para receber a resposta, mas nos sentirmos cheios de um louvor tranquilo, pois cremos na palavra de Deus, de que ele opera.


A fé baseada na Palavra de Deus

Um sinal certo de que cremos é o encontrado em Hebreus 4.3: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso”. As orações que fazemos e que aniquilam nossa fé são aquelas em que centralizamos nosso pensamento nas dificuldades encontradas pelo caminho em vez de nas promessas de Deus. Não podemos nos concentrar em nossos sentimentos nem nos sintomas de fé ou da ausência dela, mas somente no que Deus diz. O modo mais simples é começar a considerar as coisas como sendo nossas, e mencioná-las assim, e agradecer a Deus, antes mesmo de sentir ou ver a resposta. Deus é fiel. Ele não pode negar-se a si mesmo.

Unicamente pela autoridade da Palavra de Deus, Josué atreveu-se a reivindicar uma vitória prometida, quando ainda não havia nenhum sinal de ela ter sido conseguida. E Deus lhes fez conforme a sua fé, tanto que, quando eles “gritaram” (louvaram), ele fez ruírem as muralhas de Jericó. E Abraão “embora levasse em conta seu próprio corpo amortecido... não duvidou da promessa de Deus” (Rm 4.19,20). Ver também Romanos 4.17. Se a concretização daquilo que pedimos sempre ocorresse imediatamente, a fé não teria muito campo para crescer e se aperfeiçoar.

Essa mesma verdade que mencionamos acerca da oração aplica-se à dedicação pessoal, ou consagração. As pessoas, em geral, se consagram e reconsagram várias e várias vezes, sem compreender que cada consagração que fazem anula a anterior. Se quiséssemos dar um livro de presente a um amigo, e depois ficássemos a repetir o presente todos os dias, em breve, ninguém saberia mais a quem o livro pertencia. Aprendemos na lei das ofertas, na Bíblia, que, depois que o holocausto era colocado sobre o altar, daquele momento em diante, passava a pertencer ao Senhor, e ninguém se atreveria a estender a mão para retirá-lo de lá. Uma vez que a entrega é feita, o que temos a fazer em seguida é crer que Deus a aceita e a considera sua, e continua a considerá-la sua. Não fiquemos nos dedicando e rededicando. Uma das mais sutis artimanhas de Satanás é levar-nos a agir assim.


Fazer a dedicação implica não somente entregar o objeto a Deus, mas também deixá-lo ali. Fazer a entrega já não é fácil, mas deixá-la ali é ainda mais difícil. Entretanto, é necessário deixá-la com ele, e confiar em que ele fará a obra.


“É desastroso para a fé repassar as mesmas petições repetidamente.”


Suponhamos que nosso relógio pare de funcionar. Nós o levamos ao relojoeiro e lhe perguntamos se pode consertá-lo. Ele o examina bem, com sua lente de aumento, e depois responde: “Sim!”; daí nós pegamos o relógio de volta e dizemos: “Obrigado!”, e saímos. Será que o relógio será consertado?

Não; se quisermos que ele seja consertado temos de deixá-lo com o joalheiro. Muitas vezes, quando oramos, pedimos ao Senhor que se ocupe de uma certa dificuldade para nós. E ele diz: “Sim”, mas não a deixamos com ele, e assim, nada fica resolvido.

Temos de aprender a entregar para Deus nossas petições, orar até crermos, e depois deixar tudo com ele. Em muitos casos, quando temos dificuldades ou questões urgentes, gostamos de sentir que ainda as conservamos em nosso poder. É difícil para nós desistirmos de ficar no controle da situação. Por que não darmos a Deus uma oportunidade para operar?

Examinemos ainda outra analogia, uma parábola que nos ensina exatamente a mesma lição. Um garoto que nascera numa cidade grande pediu a seus pais que lhe permitissem plantar milho indiano em sua horta, e recebeu alguns grãos de milho. Ele se lembra de como sentiu sua responsabilidade ao plantar aquele milho. Fez a cova na terra e colocou nela os grãos, enterrando-os bem fundo. Depois, regou-os regularmente, e embora não esperasse mesmo que eles brotassem com um ou dois dias, não conseguiu resistir ao impulso de escavar a terra. Desnecessário é dizer que ele não conseguiu os pés de milho daquela vez. Teve de recomeçar tudo, e plantar outros grãos. Depois de algum tempo, então, ele obteve o milho que desejava.

Às vezes, entregamos uma petição a Deus e agimos exatamente como aquele garoto fez com as sementes. Nós as entregamos a ele, regamos com nossas lágrimas e orações, mas somos por demais impacientes. Achamos difícil esperar. Então, escavamos o solo e arrancamos as petições, pegamos entre os dedos para ver como estão indo. Isto atrapalha a operação de Deus. Nunca arranquemos com descrença algo que semeamos com fé.

Existe muito esforço próprio e pouquíssima entrega verdadeira a Deus. Algumas orações têm de ficar escondidas na mão de Deus até morrerem, e Deus quer que nós as deixemos ali pela fé, pois sabe que “se morrer, produz muito fruto” (Jo 12.24).

Quando realmente dedicarmos alguma coisa ao Senhor, não poderemos agir como antes. Geralmente, ele não quer que façamos nada, a não ser confiar nele. Se houver alguma outra coisa a fazer, ele nos revelará claramente. Temos de ser cautelosos e agir exatamente como ele nos instrui. Não podemos fazer nada que esteja em desarmonia com a fé da dedicação.

A Palavra de Deus nos diz: “Tudo quanto em oração pedirdes, crede...” (Mc 11.24.) Muitas pessoas, quando oram, simplesmente oram e pensam que existe algum valor em se fazer uma oração. Mas, nesse texto, Deus chama nossa atenção para a necessidade de crermos quando oramos. Mas essa crença não é meramente crer na petição que lhe apresentemos.

Temos de tomar uma posição definida de fé em Deus. Isso não é apenas crer que Deus responderá nossa petição, pois tal seria situar a operação de Deus em um dia no futuro, e isso seria somente esperança e não fé. Temos de crer que já obtivemos a resposta, embora ainda não tenhamos visto nem sentido isso. (Ver 1 João 5.14,15.)


“Nunca arranquemos com descrença algo que semeamos com fé.”


Deus diz: “Ora, a fé é” (Hb 11.1), e não a fé será, pois isso significaria apenas uma esperança futura e não uma crença e aquisição no tempo presente. A fé começa agora.

A nossa fé não pode ser apenas uma disposição mental de crer; ela tem de estar fundamentada na promessa de Deus. Precisamos crer que Deus quer atender àquele pedido específico. E se acreditarmos assim, podemos começar a agradecer-lhe. Se pudermos sinceramente agradecer a Deus de todo o coração por ter-nos atendido, podemos estar certos de que nossa fé é suficientemente perfeita para que ele opere. Então, podemos dizer: “Senhor, eu creio em ti, e te louvo”.

Sua Palavra diz: “Em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica com ações de graça” (Fp 4.6 – grifo do autor). Oremos desse modo até podermos crer e agradecer-lhe pela resposta, e ele começará a operar.

É sempre bom termos alguma ilustração específica que exemplifique os princípios que estamos apresentando. Muitas vezes, aprendemos mais com as ilustrações do que com a enunciação de um princípio.


Problema financeiro na igreja

Certa igreja começou a enfrentar problemas financeiros. O pastor, um homem ainda jovem, pensou que teria de entregar o pastorado. A dívida era muito grande, e ele se esforçou por todos os modos para conseguir o dinheiro necessário, mas foi em vão. Ele orou muito pelo problema, mas parecia não obter resposta. Então, certo dia, Deus lhe falou: “Entregue-me este problema; confie em mim e eu operarei”. E enquanto ele se inclinava em oração, Deus lhe deu uma promessa definida em Filipenses 4.19: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”.

Então, com um definido ato de fé, ele entregou a igreja e todos os seus negócios ao Senhor, e suplicou a Deus o cumprimento da promessa, o suprimento de todas aquelas necessidades, e disse: “Senhor, eu te agradeço e te louvo por isto”.

Ele se deitou, mas não conseguiu dormir – a crise parecia pesar terrivelmente, tanto sobre a igreja como em sua vida. Depois de revirar na cama durante uma ou duas horas, ocorreu-lhe o pensamento de ajoelhar-se e orar novamente, pedindo a Deus para resolver a questão. Percebeu que a insinuação era do inimigo, mas como não conseguisse dormir, levantou-se, ajoelhou-se ao lado da cama e disse: “Senhor, quando me deitei, entreguei esta questão toda para ti, e disse-te que cria que tu irias operar. Senhor, eu ainda creio em ti e te louvo”. Deitou-se novamente, mas ainda assim não conseguiu dormir.

Após mais uma ou duas horas de insônia, foi repetida a insinuação de que deveria levantar-se e orar a Deus novamente em favor daquele grande problema. Ele se ergueu, certo de que o inimigo estava a enganá-lo, evidentemente tentando fazê-lo orar até destruir sua fé, mas disse outra vez: “Senhor, quando me deitei, eu cri em ti e ainda creio, e eu te louvo”. E voltou para a cama, mas não dormiu. Mais uma ou duas horas se passaram com a mesma inquietação. A mesma insinuação foi feita: “É melhor levantar e orar”. E ele se levantou e orou do mesmo modo que antes: “Senhor, eu ainda creio em ti, e te louvo”. A seguir, ele caiu num sono tranquilo, e quando despertou, gozava de uma verdadeira paz.

Desnecessário é dizer que Deus o atendeu fazendo-lhe uma abundante provisão, e ensinou-lhe a maravilhosa lição: “Entregue, confie e Deus operará”.

Conhecemos inúmeros casos de cura que foram realizados pelo mesmo princípio. Lembro-me de uma jovem que sofria de hidropisia, e estava tão inchada que aumentara duas vezes o próprio peso. Depois de haver utilizado todos os recursos sob os cuidados de bons médicos, ela parecia piorar em vez de melhorar. Por fim, compreendeu que não havia mais nada a fazer senão colocar a si mesma e a sua enfermidade nas mãos de Deus, e confiar que ele operaria. Com um definido ato de fé, ela fez a entrega e reivindicou o cumprimento da promessa divina do Salmo 37.5.

Imediatamente sentiu algumas melhoras, mas a doença continuou. Dia após dia, ela se voltava para Deus e dizia: “Senhor, eu continuarei crendo em ti, e te louvando”. Não demorou muito e estava curada. Ela recuperou a saúde e suas forças, e além disso aprendeu a manter uma comunhão íntima com Deus.


Curada de depressão

Outro caso que ilustra de forma maravilhosa o método de Deus operar em resposta à oração de entrega e em atenção à fé e à confiança definidas, foi o de uma senhora que se achava sob tensão por causa de alguns acontecimentos e situações que lhe haviam sido adversos. Parecia-lhe que era atacada de todos os lados. A princípio, ficou muito desalentada, e depois começou a sofrer de uma depressão tão profunda que se sentiu inclinada a tentar o suicídio.

Ela fora crente, mas sua fé parecia haver naufragado. Foi auxiliada por um obreiro cristão que lhe perguntou se era crente. Ela respondeu: “Eu era, mas não sou mais”. Ele procurou falar-lhe com bondade, e ela contou-lhe seus problemas. O obreiro tentou confortá-la, mas ela se sentia dominada por um profundo senso de incapacidade total e parecia de tal modo deprimida que todos os recursos comuns eram inúteis.

O obreiro, que conhecia o segredo da oração de entrega feita em fé e mantida pelo louvor, perguntou-lhe se não queria entregar a si mesma e seu problema ao Senhor com um definido ato de fé. Ela ajoelhou-se para orar, mas não conseguiu fazê-lo. Então o obreiro ajudou-a a dizer uma oração simples, com poucas palavras. Ela disse: “Senhor, entrego-te todos os meus problemas e a mim mesma; eu creio na tua promessa de que, se nos entregarmos a ti e confiarmos em ti, tu operarás. Senhor, eu creio em ti e te louvo”.

O obreiro falou-lhe que Deus dissera em sua Palavra que devemos entregar-lhe tudo e confiar nele, e ele operará. A única oração que ela teria de fazer, após tal entrega, seria: “Senhor, eu creio em ti e te louvo”.

Passaram-se vários meses antes que aquele homem se encontrasse com ela novamente, e quando a viu, notou que a sua fisionomia e sua vida estavam mudadas. Sua vida agora era permeada de louvor, e Deus operara mais do que ela pedira ou pensara. Ele não apenas respondera sua oração, mas transformara toda a sua personalidade, tornando-a radiante, pela presença divina, e ela agora gastava sua vida ajudando aqueles que também estivessem a ponto de mergulhar na depressão.

Felizmente, nós temos um Deus que é capaz de salvar e auxiliar um coração ferido e desalentado.

Muitos crentes oram pela salvação de seus entes queridos, mas não compreendem essa oração de entrega.

Certa senhora tinha um filho que levava uma existência pecaminosa. Uma vizinha sua citava-lhe textos bíblicos com promessas. “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos...” (At 2.39), e “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31). Disseram-lhe que entregasse o filho ao Senhor, e cresse nessas promessas, e depois dissesse ao Senhor que confiava nele e o louvava.

E aquela mãe disse: “Isso é uma revelação para mim. Nunca havia ouvido isso”. Ajoelhou-se e entregou o filho a Deus, e mais tarde ele foi maravilhosamente salvo. Agora, ambos estão regozijando-se no Senhor.


Um exemplo notável

Talvez um dos mais notáveis casos desse tipo seja o de uma outra senhora que deu testemunho em uma igreja de uma cidade grande. Ela contou o seguinte:

“Tenho um filho que vivia no pecado. Eu o criei no caminho certo, mas ele, a certa altura da vida, rejeitou tudo que eu lhe havia ensinado a respeito de Deus e foi mergulhando cada vez mais no pecado. Fiz tudo que era possível a uma mãe: instei com ele, orei por ele, mas nada parecia adiantar.

“Após anos de angústias e provações, ocorreu-me uma ideia, como que sussurrada à minha mente: ‘Por que você não o entrega a mim?’ Então, num ato de fé, entreguei-o a Deus, segundo sua promessa feita a mim e a meus filhos, e disse ao Senhor que acreditava que ele o havia recebido, e agradeci-lhe por isto. Esperei que ele melhorasse logo, mas pareceu que ele começou a piorar. Quando eu me ajoelhava para orar, a única coisa que conseguia dizer era: ‘Senhor, eu creio em ti e te louvo’. Eu me sentava e ficava esperando-o à noite, e ele chegava tarde, muitas vezes embriagado; se eu não acreditasse em Deus, meu coração estaria desolado, mas eu apenas dizia tranquilamente: ‘Senhor, eu creio em ti e te louvo’.


“Muitos crentes oram pela salvação de seus entes queridos, mas não compreendem essa oração de entrega.”


“Certa noite, parecia que ele não iria voltar para casa. No entanto, bem mais tarde, bateram à porta. Quando abri, vi que traziam meu filho numa maca. Ele cortara a própria garganta, e estava inconsciente. Ninguém poderá entender os sentimentos que dominaram meu coração. Senti que precisava orar por ele, pois ainda dava sinais de vida. Ajoelhei-me, mas a única coisa que eu sabia dizer era: ‘Senhor, eu creio em ti, e te louvo’. Enquanto ainda estava de joelhos, com lágrimas correndo pelo rosto, ele abriu os olhos e disse: ‘Mãe, ore por mim’. O médico chegou e, percebendo que a veia jugular não estava totalmente seccionada, suturou o corte, e meu filho se restabeleceu.”

Sua vida foi completamente transformada, e ele se entregou a Deus. “Isso aconteceu há alguns anos”, disse a mãe, dirigindo-se à congregação. “Acabo de receber um telegrama dele, no qual me diz: ‘Mãe, entrei para o ministério, e hoje prego meu primeiro sermão”.

Isso tudo fala de um maravilhoso processo de fé. Entregar tudo a Deus e inclinar-se diante dele em oração até crer nele, depois firmar-se nessa fé, louvando-o sempre. Cada instante de fé é um momento em que Deus opera, quer o vejamos ou não; sua Palavra é a verdade. Deus responde às orações, e não existe oração mais eficaz que a oração de entrega.

Existem muitas pessoas hoje, que desejam uma verdadeira plenitude do Espírito Santo. Qualquer bênção que Deus tem para nós deve ser recebida pela fé. É da vontade de Deus que recebamos o seu Santo Espírito. Ele prometeu “poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo” (At 1.8). Ele está mais interessado em dar-nos o Espírito do que os pais terrenos estão em dar aos filhos boas coisas. Devemos nos prostrar diante dele, e clamar pela plenitude pentecostal e o batismo do Espírito Santo. Muitos param nesse ponto e recebem muito pouco das bênçãos e do poder de Deus. Além de receber o Espírito Santo pela fé (Gl 3.14), Deus nos chama a permanecer em sua presença até que o Espírito Santo se manifeste, tomando total controle da situação, e nós sejamos revestidos com o poder do alto.

O segredo está nessa oração de entrega. Depois que cremos nele, podemos dizer simplesmente: “Senhor, eu creio em ti e te louvo”. Depois, mantendo essa atitude diante dele, eis que, num dia maravilhoso, os céus se abrem e Deus nos batiza “com o Espírito Santo e com fogo”. Não vemos nenhuma razão, nas Escrituras, para que não o recebamos como os discípulos o receberam, em Atos dos Apóstolos. Não é preciso que haja nenhum fogo. Muitos há que dão apenas o passo da fé, e não continuam a louvar a Deus para receber essa manifestação mais ampla do Espírito. É preciso uma fé genuína para se perseverar em fé quando não se vê nenhuma mudança especial. Entretanto, podemos continuar olhando para ele, dizendo: “Senhor, eu creio em ti e te louvo”. Essa atitude ser mantida até que o Espírito Santo manifeste sua presença em nosso interior.

Não devemos nos dar por satisfeitos enquanto não houver uma manifestação definida da unção sobrenatural do poder do Espírito. Então a promessa estará cumprida: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo”.

Muitos dos filhos de Deus precisam de uma nova unção do seu Santo Espírito. Coloquemo-nos diante dele, peçamos aquilo de que precisamos, e depois continuemos a crer e a louvá-lo, não importa quanto tempo tenhamos de esperar. Em cada momento de espera ele está operando. Isso pode implicar uma sondagem mais profunda do coração e mais profundas aplicações, pela fé, do precioso sangue de Jesus. E tal operação pode levar tempo, mas continuemos a confiar e a louvá-lo. Temos de crer a despeito de qualquer barreira ou dificuldade. Creiamos e louvemos, ainda que para nossa mente e espírito não haja nenhum sinal de vitória, e apesar da indiferença e da letargia de nosso próprio eu, e mesmo que Satanás nos sussurre que vivemos uma mentira e hipocrisia, já que não sentimos nada. Creiamos e louvemos firmemente, assim mesmo, pois, embora não sintamos nada, nós estamos sendo sinceros.

Não fiquemos repetindo: “Eu recebo esta resposta de oração”, mas continuemos a dizer: “Eu recebi a resposta e já a possuo”, pois Deus declarou que nós teríamos aquilo que recebêssemos pela fé. Aquilo que quisermos, quando orarmos, crendo, receberemos. (Ver Marcos 11.23.)

Comecemos a pagar o preço do louvor e da adoração que devemos a Deus. Procuremos não colocar empecilhos à operação divina, mas deixemos que nossa oração de entrega se transforme em fé, e nossa fé em louvor, desse modo permitindo que Deus derrote o diabo, em nosso favor, e derrame em nós uma bênção tal que não haja espaço em nós para recebê-la.


Após a publicação deste pequeno livrete, centenas de testemunhos de bênçãos recebidas foram relatados aos editores. Tais testemunhos provinham de vários países.

Um senhor canadense escreveu que depois de haver aplicado o método de oração recomendado por este folheto, seu irmão de noventa anos, e que durante quarenta anos fora um blasfemo radical contra Deus, chamando-o de monstro, e que por muito estivera afastado da família, foi, em pouco tempo, transformado completamente, tornando-se um crente dedicado, que amava a Bíblia e gostava de cantar hinos, sendo depois restaurado à comunhão da família. Foi um milagre extraordinário para todos os que o conheciam.

Outro homem, um professor de uma universidade de Toronto, no Canadá, foi inspirado por este livrete, e orou por um irmão seu de setenta e três anos, que em conseqüência foi gloriosamente salvo.

Outro senhor, um professor de música de uma universidade dos Estados Unidos, escreveu: “Durante o ano que se passou, vi cerca de duzentas pessoas curadas de todo tipo de enfermidades, e tenho gozado momentos de grande bênção. Acho que será um estímulo para vocês saberem que, em grande parte, isto foi devido à inspiração que recebi através da leitura do folheto ‘A Oração de Entrega’, e eu comecei a pregar esta mensagem”.

Oração

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