“Você está negativado? Pagamos sua dívida, disponibilizamos empréstimos sem burocracia.” Esse tipo de informação circula em todos os meios de comunicação. E devido à situação pandêmica em que nos encontramos, muitas pessoas enfrentam situações angustiantes, de dívidas e várias outras.

Em 2 Reis, há um pequeno relato bíblico que oferece várias lições àqueles que se deparam com circunstâncias de dívidas, de frustrações, de depressão ou até mesmo de desespero, mas, mesmo assim, procuram solucionar seus problemas de uma forma que agrade a Deus.

Observe então a história que se segue e perceba que ela se desenvolve em um contexto sociopolítico não muito diferente daquele que vivemos hoje. Em meio ao caos, uma mulher, cujo marido fora um homem temente a Deus, fica viúva. O pior é que, além da perda do marido, ela agora se via ameaçada de perder seus dois filhos, pois determinado “credor”, homem a quem devia, viria para levá-los a fim de trabalharem como escravos, saldando, assim, a dívida que pesava sobre ela. Nessa situação de frustração e desespero, essa pobre viúva parte ao encontro de Eliseu, servo de Deus, sucessor de Elias, não porque ele era um homem de negócios, tampouco porque trabalhava em uma financeira.

Quando sua situação é semelhante – de total desespero –, o que você faz?

Eliseu certamente se compadeceu daquela senhora e lhe perguntou o que poderia fazer por ela, e procurou saber o que ela tinha em casa. A mulher, então, lhe responde que não tinha nada, “… senão uma botija de azeite”.

À semelhança dessa humilde mulher, talvez você esteja vivenciando uma situação turbulenta e queira que Deus lhe aponte a melhor saída para solucionar seu problema. Se é assim, está começando da forma correta, pois busca uma solução orientada por Deus.

Dentre as lições que esse texto de 2 Reis oferece podemos retirar algumas para nossa meditação:

1. Não menosprezar o pouco que tem

Quando indagada sobre o que tinha em casa, aquela viúva respondeu que não tinha nada, senão uma botija de azeite. Ao dizer “senão”, aquela mulher mostra que ainda havia alguma alternativa: não tenho nada, “exceto”; ou não tenho nada, “a não ser”. Embora ela considerasse que era muito pouco o azeite que tinha em casa, ainda assim o tinha! Não é diferente quando estamos angustiados e Deus nos pergunta: “Que te hei de fazer? Dize-me o que é que tens…” Reflita antes de responder e não vá logo dizendo: “Nada”. Busque em seu íntimo o que considera pouco, quase nada, insignificante para você, e depois, tal como aquela viúva, acrescente. “Teu servo não tem nada… SENÃO…”.

Senão, perdão para liberar; senão, situações para retratar; senão, pessoas para ajudar; senão disposição. Se você identificar algo que considera irrelevante, se descobrir qual é sua vasilha de azeite, Deus fará uma mudança em sua forma de solucionar conflitos, e você conseguirá ver seus problemas sob uma ótica diferenciada, com probabilidades de soluções estabelecidas sobre a sólida base da bênção divina.

Num nível mais pessoal, identifique qual é o seu problema: o que quer resolver? Alguns enfrentam enfermidades; alguns, abusos e outras formas de violências; outros, fome, desemprego, envolvimento com drogas. Há também os problemas de diferentes origens; aqueles que advêm das imperfeições pessoais, como ausência de diálogo, mentiras, traições, distúrbios emocionais, imaturidade espiritual, etc. Seja qual for o problema que você esteja passando, se tiver algo para apresentar a Deus, em meio a essa turbulência – como aquela viúva, que tinha apenas uma botija de azeite –, o Senhor irá transformar o que você considera pouco ou quase nada em algo valioso.

Essa experiência não foi exclusiva daquela viúva, nem será exclusivamente sua. No Evangelho de Mateus, capítulo quatorze, lemos que, ao cair da tarde, quando os discípulos vieram à presença de Jesus pedindo para despedir as multidões, para que estas comprassem o que comer, o Senhor lhes disse: “… dai-lhes, vós mesmos, de comer.” Os discípulos responderam: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”. Volte e observe bem as palavras dos discípulos na frase anterior. Você pode notar alguma semelhança com a frase dita pela viúva a Eliseu? Em ambas, é encontrada a palavra, “senão”, ou seja, o que o homem considera inadequado, Deus pode utilizar como solução.

Aquela senhora não possuía nada, “senão” uma botija de azeite. Para entender melhor esse texto da Escritura, é imprescindível saber um pouco sobre a utilidade do azeite naquela época. O azeite é um produto obtido da azeitona, fruto das oliveiras. Na Bíblia, ele simboliza a presença do Espírito Santo. Os judeus o utilizavam nos sacrifícios, como medicamento, combustível para iluminação, na culinária e como perfume, embora se abstivessem de seu uso em épocas de calamidades. Possuía ainda outras utilidades. Pode-se deduzir com precisão que, ao aumentar o azeite da viúva naquela proporção, Deus estava efetuando um milagre sem precedentes em sua casa.

Um dos atributos de Deus é sua imutabilidade. Então, o mesmo Deus que operou naquela situação, opera ainda hoje, basta não menosprezar o pouco que se tem. Um antigo grupo musical, Novo Alvorecer, na letra de uma de suas canções nos diz que o muito sem Deus é pouco demais, “… mas o pouco com ele muito se faz…”

2. As atitudes tomadas frente ao desespero influenciarão quem está ao seu redor

Após a viúva dizer a Eliseu que só tinha um pouquinho de azeite em casa, ele lhe diz: “Vai, pede emprestadas a todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas”.

Por que que a viúva deveria pedir vasilhas emprestadas? O ser humano é curioso; essa característica, creio eu, é pertinente a todos, evidentemente em proporções diferenciadas. No entanto, inegavelmente, todos têm sua parcela de curiosidade, e quando aquela mulher partiu em busca de vasilhas emprestadas, certamente despertou a curiosidade de seus vizinhos. É provável que cada um que emprestou, tenha se questionado sobre o porquê de aquela mulher querer vasilhas, pois nem comida a pobre tinha.  A curiosidade de seus vizinhos foi aguçada. Devido às circunstâncias em que se encontrava, nem mesmo a viúva ou seus filhos poderiam dizer que utilidades teriam aquelas vasilhas. Ela apenas obedecia ao que o servo de Deus lhe pedira para fazer.

Aqui está a questão da fé. O livro de Hebreus descreve que a fé é a certeza do que esperamos e convicção dos fatos que ainda não vimos. Na sequência, esse mesmo capítulo mostra uma lista de nomes dos servos de Deus, tais como Abraão, José, Moisés, Davi e outros que viveram e procederam pela fé, mas “não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito…” (Hb 11.39,40).

Sua fé não implica o fato de que terá tudo aquilo que espera de Deus, mas que qualquer que seja a resposta às suas petições, você descansará, acreditando que é a melhor resposta, porque vem de Deus.

A viúva recolhia vasilhas, porque o servo de Deus lhe ordenara que assim procedesse. Ao pôr sua fé em prática através desse ato, disseminava a curiosidade entre seus vizinhos.

Observe o amor que Deus tem por aqueles que cercam você. Deus quer realizar um milagre, não apenas em sua vida, mas também na daqueles que estão ao seu redor. Por isso, o que o Senhor planejava operar na casa daquela mulher seria um testemunho também para seus vizinhos; provavelmente, queria atingir o máximo possível de pessoas. Infelizmente, quando depende do amor humano para alcançar as pessoas, a tendência é selecionar as que achamos que merecem. O ser humano é preconceituoso, mas o amor de Deus é ilimitado, ao contrário do amor humano. O versículo diz que ela deveria pegar emprestadas vasilhas, “… não poucas.” Ou seja, ela não devia escolher onde pegá-las, e, sim, pegar todas que conseguisse, o maior número possível.

Deus quer impactar quem está a sua volta; você precisa torná-lo conhecido, pois essa é sua missão. A você cabe falar e viver em submissão à vontade dele; ao Senhor compete transformar.

Quando alguém se omite diante de Deus, além de perder bênçãos, deixa de abençoar os que estão próximos.

De que forma você tem disponibilizado sua vida, hoje, para influenciar? Ser testemunha de Jesus exige algo mais profundo do que apenas palavras; implica atitudes.

É de extrema importância notar que as primeiras pessoas impactadas pelo milagre operado naquele lar foram os de casa. Tento visualizar aquela cena, que ocorreu provavelmente numa casa com pouquíssimos móveis, onde os filhos famintos trouxeram a primeira vasilha para que para ali fosse transferido o azeite da botija. Certamente perplexos, vendo que o azeite não cessava, ficaram mais ágeis, correndo em busca de mais vasilhas.

Se você deseja impactar os seus, mas julga que seus problemas são um empecilho ou não sabe falar, creia que, em algumas circunstâncias, seu silêncio somado às suas boas atitudes, pode testificar mais alto que suas palavras.

Você não foi colocado no local onde reside sem propósito, nem está na família errada como muitos creem. O que você precisa é buscar de Deus o seu papel no contexto em que se encontra. Você é uma ferramenta a ser usada para ajustes e aperfeiçoamento. Disponha-se como alguém que está disposto a fazer a diferença. E não se conforme com o sistema falho deste mundo.

Para resolver seus conflitos, procure alternativas aceitáveis e compatíveis com o exemplo que Jesus nos deixou. Procedendo, assim, mesmo sofrendo, você irá influenciar outros; e muitas vezes sem o perceber.

Perceba a estratégia utilizada por Deus naquela situação. Para começar, despertou a curiosidade de todos que emprestavam suas vasilhas vazias. Em seguida, através dessas mesmas vasilhas, o Senhor providenciou sustento a longo prazo para uma família. Ou seja, em outras palavras, Deus realizou um milagre que foi manifesto a todos e, melhor ainda, inquestionável.

Não fique esperando apenas circunstâncias favoráveis; você é testemunha na alegria e na dor, na calmaria e na tempestade. Na hora do desespero, percebe-se claramente onde está sua confiança. Se ela se encontra em Cristo, os que o rodeiam serão contagiados.

Algumas vezes, com seu testemunho, você irá influenciar outros com a prática de contribuir, talvez perdoando ou favorecendo ao próximo em detrimento de si mesmo. Existem inúmeras possibilidades de influenciar, principalmente quando se convive lado a lado e se conhece as pessoas na intimidade. É preciso ser inteligente e criativo para identificar todas as oportunidades que surgem e aproveitá-las, mesmo consciente de que algumas dessas oportunidades se concretizarão em situações angustiantes.

Se você não sabe onde buscar vasilhas emprestadas, não se intimide; utilize cada uma das portas que se abrirem diante de você para pegá-las. E lembre-se: muitas vezes quem empresta a vasilha é mais abençoado do quem a pega emprestada. No caso da viúva, seus vizinhos conhecerem o Deus que supre as necessidades, o Deus provedor, o que foi uma bênção maior do que o próprio resgate de seus dois filhos, embora todos tivessem sido abençoados.

Por isso, com fé, leve a Deus suas vasilhas, apesar do pouco que há dentro delas, crendo que, assim que a apresentar, Deus operará um milagre em sua vida.

3. Permitir que a gratidão transborde genuinamente de você

Retornando ao relato bíblico, a história se encerra dizendo que, após todas as vasilhas cheias, a viúva voltou à presença de Eliseu para saber o que devia fazer. Observe minuciosamente cada detalhe desse texto. Ao voltar àquele homem de Deus, a viúva age de maneira sábia: com gratidão. Ela sabia que passara a ser dona de uma pequena fortuna, mas não queria errar em suas futuras atitudes. Por vezes, ao contrário dela, as pessoas agem precipitadamente: recebem uma bênção e não manifestam gratidão, buscando orientação de Deus sobre como deve continuar procedendo, ou mesmo agradecendo a quem as abençoou. Acreditam que, depois de receber o presente, cabe somente a elas decidir o que fazer.

Aquela viúva voltou a Eliseu, que lhe disse: “Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e, tu e teus filhos, vivei do resto”. A Palavra de Deus é riquíssima em orientações. Esse texto de 2 Reis mostra outros princípios cristãos: o princípio do trabalho, pois o homem de Deus lhe disse: “Vai, vende o azeite”. O ato de vender, implicava serviço da parte dela. É importante imitá-la, no que concerne ao princípio do trabalho: ser constante no trabalho. O trabalho, literalmente, dignifica o homem. Como bem disse o físico Albert Einstein: “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

Observa-se também o princípio da honestidade. Eliseu a orientou a pagar sua dívida. A dívida é um fato que tem se tornado um grande problema social, inclusive no meio cristão.  A Palavra de Deus diz: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros…” (Rm 13.8 – nvi). Em tempos de pandemia, ser honesto é um verdadeiro desafio, e é preciso buscar a Deus intensamente, porque a honestidade não é uma opção.

O terceiro e último princípio listado nesses versículos é o princípio da dependência; precisamos aprender a depender das orientações divinas. A última instrução que a viúva recebeu do profeta nesse versículo foi: “… vivei do resto”. Para que aquela mulher pudesse viver do resto, ela tinha que se planejar, fazer investimentos, usar com sabedoria o que tinha no momento para que não viesse a faltar. E para que isso continuasse a acontecer era imprescindível que ela permanecesse na dependência da vontade divina.

O processo pedagógico divino é impressionante. Em meio a um pequeno relato, emergem lições de profundo teor, para todos os que estão buscando caráter.

Após o agir de Deus naquela situação, aquela abastada senhora, não mais pobre mulher, voltou grata e consciente da permanente necessidade de buscar respostas apenas dentro da vontade divina.

Refletindo sobre os ensinamentos oferecidos na Bíblia àquela viúva, conclui-se que, ao proceder como ela, não menosprezando o pouco, mas apresentando as vasilhas a Deus e sob a supervisão dele, estaremos seguros em meio às frustrações ou aos momentos de desespero. Então, será só descansar!

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