No dia 2 de novembro de 2018, tive a experiência de escalar uma montanha pela primeira vez. A inspiração veio de um aluno da Faculdade Teológica Betânia, onde trabalho. Aos 69 anos de idade, ele escala montanhas mundo afora. Ele já escalou o Aconcágua – a montanha mais alta fora da Ásia, com 6.961 metros de altitude, e, por extensão, o ponto mais alto tanto do Hemisfério Ocidental quanto do Hemisfério Sul –, a Mont Blanc, na França – a segunda montanha mais alta da Europa –, as Rochosas canadenses, algumas na América do Norte e muitas outras em várias partes do mundo. 

 Depois de ouvir diversas de suas histórias, resolvi me desafiar também, e disse-lhe:

“Quero escalar uma montanha; você me ajuda?”

Quando proferi aquelas palavras, não avaliei muito bem as implicações do projeto; pensava apenas em encarar um novo desafio, algo que nunca havia tentado. Entretanto, essa foi uma boa experiência e me proporcionou algumas lições que resolvi compartilhar neste pequeno texto:

1. Encarar novos desafios nos ajuda a crescer 

Encarar desafios, seja na vida pessoal, profissional ou em qualquer outra área não é algo fácil e exige coragem, porém acredito que também seja uma ótima oportunidade de crescimento. Quando nos dispomos a sair da zona de conforto para aprender algo novo, normalmente, isso nos faz crescer. Os desafios fazem parte da vida e se pretendemos estar acima da mediocridade precisamos nos dispor a encará-los. Na vida e especialmente na liderança precisamos estar dispostos a encarar desafios, pois esse é o preço de subir mais alto e chegar mais longe. Davi não se tornou o grande rei de Israel à toa; ele se dispôs a encarar leões, ursos e um gigante (1 Sm 17.34-37).

2. Estar no alto exige sacrifício e esforço

 Com essa experiência, confirmei também a tese de que chegar no alto exige sacrifício e muito esforço. Muitos querem estar no alto e contemplar belas paisagens, mas não podemos esquecer que, para isso, existe um preço. Ainda no início da nossa empreitada na montanha, percebi o quanto seria difícil chegar ao final; a falta de preparo físico já me deixou ofegante no pé do monte. Pela primeira vez, pensei: acho que não vou dar conta; será mais difícil do que imaginei. No entanto, logo me lembrei de que havia pedido ajuda ao meu amigo aventureiro e mais experiente, que, prontamente, se dispusera a me levar. Além disso, eu motivara outras pessoas a encarar o desafio junto comigo. Então, percebi que seria vergonhoso desistir naquele momento, ao experimentar as primeiras dificuldades. Contudo, este é o momento em que muitos desistem: quando começam a perceber o custo do sacrifício e do esforço para se conquistar algo.

Realmente foi mais difícil do que eu esperava; após quase três horas de caminhada montanha acima, meu corpo todo doía. Em minhas pernas doloridas parecia não haver mais forças para continuar, mas ainda restavam mais de cinco horas de escalada pela frente. A vontade era de voltar, desistir, mas nesses momentos, eu me lembrava de outro princípio que procuro aplicar à minha vida, e que nos leva à próxima lição.

3. Não desista de chegar ao ponto desejado

Acredito que a perseverança é uma virtude fundamental em todas as áreas da vida. Ela é uma característica dos vencedores, pois escorregar, tropeçar e até mesmo cair fazem parte do percurso; os fortes, porém, continuam.

Isso me faz lembrar de um versículo bíblico que me inspira muito nesses momentos: “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (Tg 1.7,8). A perseverança é uma marca dos fortes e vencedores.

 Por diversas vezes, ao longo da nossa caminhada rumo ao topo do monte, alguém escorregava, tropeçava e, às vezes, caía, mas em seguida se levantava e prosseguia, pois sabíamos qual era o nosso destino e estávamos dispostos a perseverar até alcançá-lo. 

4. Amigos nos ajudam a subir

Outra lição que aprendi com essa experiência é a importância de ter amigos que nos ajudam a subir. Pessoas que nos inspiram e nos levantam. Elas nos desafiam, ainda que sem palavras, a ir mais alto e mais longe. Foi isso que o meu amigo provocou em mim com seu exemplo. Isso me faz lembrar de uma passagem bíblica descrita no Evangelho de Marcos 2.1-12, em que quatro amigos carregaram um paralítico até o telhado da casa onde Jesus estava, para que o Senhor pudesse curá-lo. O que mais me chama a atenção nesse texto são os amigos desse paralítico. Eles não desistiram diante do primeiro obstáculo; foram perseverantes e ajudaram o amigo a chegar a um lugar ao qual jamais poderia chegar sozinho. De modo semelhante, meu amigo aventureiro não só nos inspirou, mas também nos ajudou a subir a montanha. Seus conselhos e experiência foram fundamentais durante o percurso, pois sabíamos que ele já havia estado lá.

Na vida, também precisamos buscar estar perto de pessoas que nos inspiram, nos estimulam a ser melhores, a subir mais um degrau, a conhecer novos lugares e contemplar novas paisagens. Não falo de relacionamentos utilitários, porque também devemos procurar ser esse tipo de pessoas e buscar ajudar aqueles que nos cercam a crescer. Mas, sinceramente, acredito que estar perto de pessoas “grandes” nos ajudam a crescer. Grandes em fé, em coragem, em liderança, em bondade…

Como disse o grande empreendedor Jim Rohn: “Você é a média das cinco pessoas com quem mais convive”.

5. A importância do preparo

Por fim, essa aventura deixou bem evidente a importância do preparo; nesse caso, o preparo físico. Em função da grande perseverança que tivemos, a falta de preparo não chegou a inviabilizar o projeto, mas provocou um desgaste muito maior que o necessário. Durante as várias paradas que precisamos fazer, enquanto estávamos ofegantes, pude perceber a condição física muito mais tranquila do meu amigo alpinista, apesar de ser 30 anos mais velho. De fato, ele está constantemente se preparando, corre maratonas, frequenta academia regularmente e já escalou diversas montanhas. 

Se queremos subir ou chegar mais longe em qualquer área da vida, o preparo é fundamental. Um versículo de Eclesiastes diz: “Se o machado está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força; agir com sabedoria assegura o sucesso” (10.10 – nvi). Podemos pensar no ato de afiar o machado como o preparo. Se não há preparo, qualquer desafio será muito mais penoso, ou poderá até mesmo fracassar pela falta dele.

Já estamos pensando em novos desafios, um novo pico para subir, mas algo que determinei é que, antes de qualquer nova empreitada, eu me prepararei melhor fisicamente. O preparo é fundamental para o sucesso de qualquer projeto que almeja a excelência. Podemos até conseguir algum êxito sem o preparo, mas o desgaste e o risco de frustração serão muito maiores; não vale a pena!

Portanto, busque sempre o preparo e oportunidades de aprender, adquirir novas competências e crescer. Esteja disposto a encarar desafios, mesmo que eles exijam esforço e até algum sacrifício. Não desista de alcançar seu objetivo, seja perseverante e invista em relacionamentos que o desafiam a ser melhor. Busque estar perto de pessoas que o ajudam a crescer. Pois como diz Provérbios 13.20: “Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal” (nvi). Procure também ser esse tipo de pessoa sempre que puder. Essas foram algumas lições que tirei da experiência na montanha!

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